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  • Bruna Barreto

Um convite ao cuidado de si

Pouco mais de um ano se passou desde as primeiras notícias sobre a pandemia em decorrência da Covid-19. O cenário pandêmico parece ter escancarado o que aparentemente não estávamos querendo enxergar: o mundo está doente, nos mais variados âmbitos. No campo da saúde mental, por exemplo, é alarmante o aumento do número de pessoas que sofrem com algum tipo de transtorno. O cuidado de si se faz urgente.


Ao se falar em autocuidado não podemos deixar de incluir e enfatizar um campo muitas vezes esquecido que é o da saúde mental. Manter uma boa saúde psicológica é tão importante quanto manter uma boa saúde física. O contexto que estamos vivendo tornou esse fato ainda mais evidente, fazendo-se oportuno para um despertar necessário da atenção das pessoas para o cuidado com a saúde mental.




Se há uma coisa que a pandemia tem nos proporcionado é possibilidade de reflexão, de poder pensar. Entretanto, não significa dizer que esse exercício seja fácil, pois não é de hoje que o autocuidado vem sendo negligenciado. O estilo de vida que o mundo voltado para produtividade nos exige na maioria das vezes não nos permite olhar para dentro e nos confrontarmos com nossos desejos, angústias, conflitos e, assim, simbolizá-los.


Fomos obrigados a desacelerar. Menos anestesiados pela correria cotidiana, temos a oportunidade de nos depararmos com nós mesmos. Tempos de avaliar a maneira que estamos vivendo enquanto sujeitos e enquanto coletividade, bem como o que desejamos daqui para frente.


Os longos períodos de isolamento social vieram acompanhados do sentimento privação. Abrimos mão não apenas de sair de casa, mas da nossa rotina, de planos, perspectivas, relacionamentos. Muitos perderam pessoas queridas, empregos, se depararam com a solidão ou com conflitos familiares. Inúmeras foram as mudanças e perdas ao longo do último ano, nos exigindo adaptação, reinvenção, aprender a lidar com o novo, com o incerto, com o desconhecido.


Tudo isso não é tarefa fácil. Não é sem desconforto que nos confrontamos com o medo, a insegurança, a vulnerabilidade, a impotência humana, dentre outros turbilhões de emoções. Claro que o modo como cada um está atravessando esse período é bastante singular, mas fato é que a experiência tem a capacidade de transformar o sujeito, se este assim estiver aberto e disposto a isso.


Entretanto, é preciso tempo para elaborar tudo que está acontecendo, interna e externamente. É importante sermos mais tolerantes com nós mesmos, reconhecer que não damos conta de tudo sozinhos e, quando for preciso, buscar ajuda profissional para lidar melhor com o sofrimento inerente à vida.


Não existem caminhos ou saídas prontas. Cabe a cada um de nós, de acordo com nossas possibilidades, compreender nossas emoções, examinarmos a maneira que estamos vivendo e transformar o modo de encarar o mundo, as adversidades, a existência. Esse processo de tomada de consciência, de olhar para dentro, de compreender os próprios conflitos, apesar de gerar angústia, não deve ser mais adiado. Não nos deixemos mais para depois.


Bruna Barreto CRP 11/10675


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