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  • Pedro Ítalo dos Santos

ANSIEDADE E TRANSTORNO DO PÂNICO

Tenho visto muita confusão sobre o que é o Transtorno do Pânico até mesmo entre colegas de outras categorias da saúde e gostaria, através desse texto, de diferenciar esses dois, ao mesmo tempo em que trago orientações para quem suspeita estar com transtorno do pânico.

A principal confusão que é feita é entre o transtorno do pânico e os outros transtornos de ansiedade. Existe sim uma relação entre eles, afinal de contas, o transtorno do pânico se encontra no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) junto com os transtornos de ansiedade. Porém, existe uma diferença crucial entre eles.


Enquanto nos outros transtornos de ansiedade, como fobias específicas ou transtorno de ansiedade social, os sintomas estão relacionados a algo no ambiente – como se expor em público, no caso da ansiedade social ou o medo irracional de sapos, no caso da fobia – o Transtorno do Pânico está ligado ao medo de ter novos episódios de ataques de pânico, ou uma mudança na rotina que não é adaptativa para evitar novos ataques. Costumo dizer que o Transtorno do Pânico é o medo de ter medo.



Além, é claro, de ter acontecido um episódio de Ataque de Pânico anteriormente, que é um surto abrupto de medo intenso acompanhado pelos sinais físicos do medo como: palpitações, coração acelerado, taquicardia, sudorese, tremores ou abalos, sensações de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dor ou desconforto torácico, náusea ou desconforto abdominal, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, calafrios ou ondas de calor, parestesias (anestesia ou sensações de formigamento), desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar distanciado de si mesmo), medo de perder o controle ou “enlouquecer”, medo de morrer.


Em resumo, precisa ter acontecido um ataque de pânico com essas características para, depois, o paciente ficar com medo de que isso se repita e passe a tentar evitar que aconteça novamente, de forma persistente, quase que obsessiva. É quase como o medo de perder novamente o controle ou enlouquecer, o que causa um sofrimento prévio.


Sendo ainda mais específico, para ser ataque de pânico, precisa ser seguido por um mês ou mais desse medo de ter outros ataques e das mudanças não adaptativas citadas. Essa mudança não pode ser consequência do uso de substâncias como drogas ou outra condição médica e essa perturbação não é mais bem explicada por outro transtorno mental.


Por exemplo, esse ataque de pânico não ocorre em resposta a situações sociais temidas como no transtorno de ansiedade social, nem em resposta a objetos ou situações específicas como no caso das fobias específicas, também não ocorre em resposta a uma obsessão, como no caso do transtorno obsessivo compulsivo, ou em resposta a eventos traumáticos como no transtorno do estresse pós-traumático, ou em resposta a separação de figuras de apego, como no caso do transtorno de ansiedade de separação.


Esses ataques são recorrentes e inesperados. Surtos abruptos de medo ou desconforto intensos que alcançam um pico em minutos e durante o qual ocorrem quatro ou mais dos sintomas já citados.


Para finalizar, gostaria de reforçar que os sintomas citados aqui não servem para autodiagnósticos, mas apenas por dois motivos: primeiro, para que não exista mais confusão entre transtorno do pânico e outros transtornos de ansiedade e, depois, para que as pessoas que identificam alguns destes em seu dia a dia busquem ajuda profissional capacitada. O diagnóstico de um transtorno desse ou qualquer outro tipo precisa ser feito por um profissional da área, então, lembre-se: nada de autodiagnóstico!


Os profissionais da área que você deve procurar são psicólogos e psiquiatras. Independente do profissional que você procure, ao verificar a sua necessidade, ele vai te orientar a melhor forma de proceder a partir de então. Psicólogos e psiquiatras costumam trabalhar em conjunto quando existe a necessidade.


O profissional poderá avaliar seu caso e todas as variáveis envolvidas na sua vida relacionadas aos sintomas e te orientar sobre o melhor caminho possível para te ajudar a combater o sofrimento e te acolher.


Não podemos fazer previsão taxativa de resultados e dizer que você vai rapidamente se ver livre do que está sentindo, mas podemos garantir um atendimento com dedicação e cuidado.


Psicólogo Pedro Ítalo dos Santos - CRP 11/13765

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