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  • Bruna Barreto

A ILUSÃO DAS REDES SOCIAIS

São indiscutíveis os recentes avanços na comunicação, dentre eles, as redes sociais, que além de promover entretenimento para os mais diversos públicos e ofertar informações, proporcionam a conexão entre pessoas nos mais diversos sentidos, desde reatar laços de amizade até investir no meio profissional, por exemplo.


No entanto, é preciso chamar atenção para alguns aspectos importantes para se pensar sobre o uso que fazemos dessas redes. Apesar das redes sociais se caracterizarem como uma forma de fazer relação intersubjetiva e social, é fundamental destacar que elas também são uma simulação da realidade.



Muitos usuários estão cercados por postagens e publicações de celebridades, influenciadores e outras pessoas que compartilham recortes de seus cotidianos. Trata-se quase sempre de fotos e vídeos de momentos felizes, acompanhados de um belo filtro, mostrando uma vida maravilhosa, viagens com cenários incríveis, comidas deliciosas, looks perfeitos, ótimas relações. Um universo de aparências, transmitindo a imagem de falsa perfeição.


Falsa porque a perfeição é inatingível.


Mas tudo isso tem consequências, inclusive para a saúde mental, podendo gerar ou intensificar transtornos como os de ansiedade e depressão, por exemplo, principalmente em pessoas que fazem uso das redes sociais de maneira excessiva, que estão frequentemente se comparando e comparando suas vidas com a vida editada de outras pessoas.


É fundamental lembrar-se: a vida editada não corresponde à vida real.


A comparação é feita de maneira inconsciente e inevitavelmente pesa mais para o lado negativo. Parece que a vida do outro é sempre melhor que a nossa própria vida. O que acontece é que, por meio das postagens, não é possível ter uma visão mais ampla ou profunda da situação, ficamos limitados a um único ponto de vista, um só ângulo, e esquecemos de que por trás de um perfil com belas fotografias, existe um ser humano como qualquer outro, e que provavelmente não está bem e feliz o tempo todo como deseja mostrar-se.


É relevante pontuar que a necessidade de aprovação e aceitação são características antigas do ser humano, ou seja, antecedem as redes sociais. Porém, com as redes, isso se tornou ainda mais evidente.


Temos cada vez mais uma sociedade insegura e com a falsa ilusão de que o olhar do outro é necessário para garantir sua existência. É equivocado, porém cada vez mais comum, por exemplo, as pessoas avaliarem a qualidade de suas relações ou o nível de sua autoestima através da quantidade de seguidores ou do número de curtidas em suas publicações.


Diante do exposto, é importante destacar também que vivemos tempos difíceis, a realidade é que a maioria das pessoas não estão tão bem quanto gostariam. A angústia, o sofrimento, a sensação de solidão, de não pertencimento, são apenas algumas das características que nos permeiam. Nessa super exposição através das redes sociais, observa-se que há uma exigência de felicidade, as pessoas buscam mostrar apenas o melhor de si. Uma maneira, talvez, de fugir ou mascarar os seus vazios.


Portanto, faz-se necessário pensar sobre essas e outras questões, desenvolvendo um olhar mais lúcido e cuidadoso sobre como utilizamos as redes sociais e como elas afetam a nossa vida, a nossa saúde e a nossa relação tanto com as outras pessoas, como com nós mesmos.

Que o uso dessas redes seja feito de maneira equilibrada e a nosso favor, sem gerar mais sofrimento ou dependência, lembrando sempre que a vida real é o que acontece por trás das telas, que essa falsa ideia de perfeição propagada é ilusória e que a felicidade e o bem estar não devem ser uma obrigação, um peso ou uma cobrança, mas sim uma busca subjetiva.


Psicóloga Bruna Barreto CRP 11/10675

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