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  • Cleane Tavares de Souza

A Depressão é a imperfeição do Amor

Antes de iniciar o texto propriamente dito, quero deixar claro que este conteúdo são reflexões baseadas em minhas convicções, e de como eu, como psicóloga clínica, vejo a Depressão. Na verdade, existem várias maneiras de olhar e interpretar essa patologia. Sinto que é importante esclarecer o grande fato de que a depressão é um transtorno mental que tem contribuições biológicas comprovadas cientificamente – e um dos grandes fatores para sua existência é exatamente fator hereditário.




Eu acredito que posso dizer que ter depressão é como experienciar uma morte em vida. E que é um fenômeno que acontece independentemente da idade, gênero, raça ou condição socioeconômica do portador do transtorno. Assim sendo, ninguém está mais suscetível que ninguém e tampouco ninguém está livre dela – diante da Depressão, somos todos iguais.


A Depressão vai chegando aos poucos e mata de forma gradual toda a vida que existe dentro de você. Aquelas atividades, que antes eram tão prazerosas e que te faziam tão feliz, de repente não te preenchem mais. Trabalhar para de fazer sentido e até mesmo sair com amigos ou para encontrar familiares também não tem mais significado.


Tudo vai perdendo o antigo brilho e ficando cinza e nada mais parece ser muito significativo ou importante. Ficar na cama o dia todo é, geralmente, a única coisa que parece possível de ser feita... Tudo é doloroso e penoso.


É como um quarto, com paredes cinzas e móveis pretos, um lugar onde não existe cores, estímulos e muito menos alegria. Quem tem depressão enxerga a vida como alguém que vive nesse quarto, e por mais que lhe seja apresentado as cores e estímulos que existem do lado de fora – muitas vezes na tentativa de motivar o depressivo a sair do quarto – nada parece ser suficiente para fazê-lo enxergar um mundo mais colorido ou minimamente interessante.


E por que é tão difícil para a pessoa com depressão enxergar esse mundo mais colorido? A pessoa que está com depressão sente-se carregando uma dor imensurável e, o que parece piorar a situação, não consegue exatamente identificar que dor é essa, onde está ou como resolvê-la. Por vezes, a dor mais parece estar na alma, um vazio profundo que nada preenche. Esse vazio muitas vezes vem acompanhado de vários outros sentimentos, como culpa, solidão, rejeição e inutilidade, por exemplo.


E quando a culpa chega, vem sem dó! Essa culpa não-se-sabe-de-quê se torna ainda maior quando o sofrimento não é reconhecido e validado pelos outros – o que é muito comum, já que a sociedade costuma julgar a Depressão como frescura, preguiça, falta do que fazer ou mesmo falta de vontade de melhorar. É comum a pessoa com depressão se culpar por não conseguir ficar bem, e acabar mergulhando em um mar ainda mais profundo de tristeza e desesperança.


Vou citar aqui um trecho do livro O DEMÔNIO DO MEIO-DIA – Uma anatomia da Depressão, do autor Andrew Solomon (página 15, 1ª edição).


“A depressão é a imperfeição do amor, para poder amar, temos que ser capazes de nos desesperarmos ante as perdas, e a Depressão é o mecanismo desse desespero. Quando ela chega, destrói o indivíduo e finalmente ofusca sua capacidade de dar ou receber afeição”.

Essa colocação do autor de que “a depressão é a imperfeição do amor”, faz muito sentido para mim, não só como psicóloga, mas também como ser humano. Estamos sempre em busca da perfeição, da aceitação e do amor. Eu me atreveria até mesmo a dizer que vivemos constantemente em busca do amor – queremos a todo custo amar e ser amados, urgentemente.


E como sempre queremos tudo perfeito na vida, com o amor não poderia ser diferente, “buscamos o amor perfeito” – criamos expectativas e idealizamos esse “amor” sem imperfeições. E quando essa ilusão morre e a expectativa é frustrada, o que acaba acontecendo mesmo, porque ninguém é perfeito, entramos em luto, ou como o autor diz acima, em “desespero”.


“A morte de uma ilusão”, pode causar grande sofrimento, enquanto o desespero desestrutura e destrói todo nosso equilíbrio emocional, a depressão, então, funciona como o “mecanismo desse desespero”.


É importante ressaltar que essa reflexão não se refere somente ao Amor Romântico, e sim a todas as mais diversas formas de amar! Mas a boa notícia, entre tantos alertas, é que a depressão hoje já é uma patologia que tem tratamento. E, caso você tenha se percebido durante o texto, saiba que não precisa passar por tudo sozinho(a).


No Amar.Elo Saúde Mental, plataforma de teleatendimento em Saúde Mental, profissionais capacitados para o tratamento da depressão e outros transtornos, assim como eu, que sou psicóloga clínica, estamos sempre à disposição para atuar como rede de apoio nos momentos em que o mundo parecer mais cinza e sem graça.


O cuidado com a Saúde Mental é imprescindível e o Amar.Elo conta com uma equipe completa para terapias e consultas com psiquiatras, a um toque de distância, no conforto da sua casa. Por isso, não hesite em pedir ajuda. Você importa! E a gente se importa com você.


Cleane Tavares de Souza – Psicóloga | CRP 06/158028


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